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:: 3/20/2010 ::
Matei esse template... mudei pra Wordpress no diarioinexistente.wordpress.com
:: Pedrinho 11:38 PM [+] ::
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Fala que eu te escuto...
:: 3/18/2010 ::
Eu voltei... (espero que) para ficar...
Eh.. eu voltei... pelo menos por hoje.. Tava eu hoje cedo rumando para um dia muito canhestro (#fogosdeartificio achei que o Homem achava ouro na lua e eu nao usaria essa palavra) que comecou todo enrolado e de repente to num taxi a caminho duma reuniao pro trabalho e recebo um twit da @mulherbarbada me perguntando seu eu nao era o "eu" (no meu twitter tem meu nome) daqui do blog.. blog que eu nao atualizo (como se nota) ha 2 anos! No meio da confusao toda, foi o maior acalento (falando serio)... me lembrei bem mais ou menos do que eu escrevia (nem sei o que jantei ontem, que dira as sandices que eu pensei ha 2 anos), ela falou do post da macaca (tive que ler de novo, caraca as coisas que eu ja li e fiz na vida...) e deu uma onda de coisa boa que ate me deu sorte na tao falada reuniao onde achei que eu ia ser virado do avesso e jogado no limao. E deu ate tudo certo, veja so.
Mas deu vontade de voltar a escrever. Nem sei o que, nem acho que eh bom o que sai (como eu sou prolixo... eu se tivesse que me ler me enchia de porrada pq eu sou um saco), mas eh bom botar pra fora, parece que a coisa fica meio rondando zonzando em mim ateh que sai. E era bom o tempo em que eu escrevia, parecia que eu ia prum aeroporto e ficava naquele hiato de vida que vc tem enquanto tah naquele purgatorio aeroespacial, e ficava de olho no que podia rolar de interessante, hoje eu chego, sento e viro figurante 518 de foto "aeroporto lotado". Fico um zumbi cansado, pensando em.. nada. Aih deu gas, me estapeei, nao! vc nao vai ter este fim! E resolvi voltar.
Nesses dois anos, muita coisa se passou, a comecar pelo meu teclado que nao tem mais acento, como tambem se pode notar. Um dia baixei um patch de acento em PT pro mac e junto veio um exu tranca teclado que tinha vontade propria, e o bicho alucinou. O mac era bonzinho, era trocar o teclado e so faltava ele dar aquela gargalhadinha de pomba gira pra te sacanear, nada mais era o mesmo, arquivo nao salvava, o Haiti era aqui. Vou ver se consigo a partir de amanha usar o do trabalho, mas ai vem uma coisa que ta me perturbando, eu tenho minhas midias pra sincronizar com o ipod aqui, o outro tem acento, se eu usar o outro nao vou poder estar neste aqui pra baixar coisa, me garra um agobio e eu nao sei o que fazer.
Nota-se tambem que eu fiquei uma pessoa meio tarja preta nesses dois anos, pelo nivel de pensamento que a frase acima demonstra zanzar pela minha cabeca, pq isso nao eh pensamento pra pessoa ter a 00:30.
Nestes dois anos tambem, conheci o que eu achei que ia resolver minha vida de falta de tempo pra blogar e pra eu me disciplinar a ser mais direto e menos prolixo - o twitter. Ai achei que se eu tivesse so alguns insights no dia, e jogasse ali, eu nao ia ter que desenvolver uma historia, de repente eu ficava tendo varias twitadinhas ao inves de um coito elaborado no blog, sacou...
Mas minha prolixia ganhou. Enquanto eu fazia um twit, ficava olhando aquele numerozinho que ia caindo (contando os caracteres ainda disponiveis), e ia vendo aquele troco indo a zero, minha frase nao terminava, eu ficava tenso, parava no meio da frase pra trocar os "tambem" por "tb", nao dava jeito, ai ia cortando preposicao, artigo, ficava uma coisa "mim casamenta voce" que nem Tarzan entendia, voltava o agobio. Invariavelmente eu me emputecia e deletava tudo. E quando eu via uma coisa engracada na rua (que nem o pobre do sujeito que se veste de dinossauro roxo pra uma sapataria infantil aqui perto de casa, 40 graus na rua sabado de manha e o Barney de Sulacap tah ali na rua), tirava a foto, fazia um comentario, passava pelo calvario do Cristo de corta preposicao, "tambem" "tb", ufa, 7 caracteres sobrando, metia o link da foto e pei, a porra ia pra -18 caracteres.
Ou seja, de repente me vi no incomodo mundo dos que estao entre o twitter e o blog.
Nesse meio tempo, juro que tentei usar o facebook. Todo mundo usa, nao pode ser ruim. Cara, comigo nao funciona. Tenho ateh vergonha de falar, mas eu entro naquele troco, vem aquele monte de coisa inutil de convite pra pagina de nao sei o que, fulano te mandou uma couve flor, beltrano precisa de uma unha preta no Mafia Wars... eu nem sei pra onde eh pra olhar. Fora aquelas pessoas que ainda nao entenderam qu eo campo "No que voce esta pensando" nao eh pra responder "na morte da bezerra", porque sai "fulano na morte da bezerra" e nao faz sentido, e entrega que vc nao funciona.
Enfim, to no limbo. Mas vou me resolver. Vou me resolver se baixo musica (e escrevo sem acento) ou escrevo descente e fico sem musica. Vou me resolver no que boto no twitter e no que esmiuco aqui. E ver se, passados 2 anos, um sabatico pra fazer cinema, uma volta a vida profissional, uma outra volta pro mercado que eu tava, e um par de outras coisas que marcaram esses 2 anos - ver se eu ainda vejo a vida com esses olhos que eu via quando tava aqui, porque na verdade eu sinto uma puta falta de mim.
E por isso tudo, so tenho uma coisa a dizer... muito obrigado, @mulherbarbada. Vc nao tem nocao de como vc me ajudou hoje... ja to te seguindo!
:: Pedrinho 12:37 AM [+] ::
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Fala que eu te escuto...
:: 3/8/2007 ::
Interrompemos a ausência do nosso patrocinador para um momento de nostalgia e reflexão...
Finge que ainda não voltei do Marrocos. Finge que ainda estou nas terras de Nazira, solto no vento, com os cabelos à mostra na Medina, e todo mundo achando que eu estou levando uma vida de grão-vizir enquanto na verdade eu estou passando mal porque comi uma pastilla, que vou descrever em detalhes supremos e detalhados que vão deixar Jamie Oliver com os cabelos do suvaco em pé, estou desesperado carregando uma panela de cuscús (cous cous é o cacete) de barro, uma não, duas, e aquilo pesa pra cacete, num calor da porra que ao passar numa sombra de árvore vira 10 graus. Finge que ninguém sabe que eu estou dividindo um compartimento com 4 pessoas fumando haxixe num trem noturno de Fez a Marrakesh (9 horas)... e eu nem sei pedir um tapa em árabe. Finge que ninguém sabe que eu estou sobrevivendo a uma explosão de merda literal, com os esgotos de Fez explodindo dentro da Medina durante um temporal, no maior estilo Glória Maria em início de carreira no Plantão do Globo Cidade, com aquelas notícias que marcaram minha infância do tipo "aqui em a situação está caótica. Com a chuva, se abriu uma cratera na rua, e, meu D'us, tem criança brincando nessa água suja! É um absurdo o descaso das autoridades competentes. Glória Maria para o Plantão do Globo Cidade".
Isso fica pra depois. Mas a viagem foi espetacular, já pra deixar claro.
Momento nostalgia hoje. Já cheguei há uma semana, e, coisa engraçada, nessa uma semana estou ouvindo direto na MPB FM, meu Zoloft matutino no único momento Manoel Carlos da minha vida cotidiana (dirigir pela Av. Atlântica pela manhã, sem trânsito, dentro do ar condicionado, ouvindo Bossa Nova a caminho do trabalho...), e ouvi umas 3 ou 4 vezes uma versão de Lígia, do Tom Jobim, gravada pelo Roberto Carlos.
O grande lance é que eu nunca tinha ouvido a música antes, inteira, mas ela foi uma referência pra mim num namoro que eu tive que me tirou do sério (de bom) quando começou e enquanto durou, e seguiu as leis da física no efeito contrário quando terminou. Eu, um cara legal, descolado, que curtia Tahiti 80 décadas antes de Big Day estourar nas FM, que curte cinema de autor, que é órfão do Daft Punk (porque depois de One More Time acho que fiquei órfão), que prefere o Cambodia a Miami... um cara que não é Framengo e nem tem uma nega chamada Teresa, tem pânico de Benjor e foge de todos os carnavais (ok, até eu me achei um chato depois dessa descrição, mas sou legal sim), durante 9 meses tive um namoro que achei que fosse ser o derradeiro, e durante essa gestação pari a Lapa, o samba de raíz, cerveja em boteco (mas boteco de rodoviária, não Bracarenses e etc., que isso eu vou), praia (que devo ter ido literalmente umas 4 ou 5 vezes na vida), só faltou entrar no Amigo Oculto da Dona Zica da Mangueira, isso porque terminamos antes do Natal, porque senão certamente tinha tido ceia com a Velha Guarda.
Enfim, durante esse tempo, dadas as incompatibilidades supracitadas, recebi a carinhosa alcunha de "Lígio", porque não gostava de praia, não gostava de nada, mas que ainda assim "pelos meus lindos olhos castanhos" (isso pra mim é que nem você elogiar um lindo copo de vidro Nadir Figueiredo, ou contemplar a beleza de uma camiseta Hering branca, mas no amor vale tudo) e o que importa é o amor. Achei bárbaro. Durante meses curti o tesão de ser a pessoa completamente fora da realidade, errada e diferente que apesar de tudo causava essa aura de estranheza e isso era muito show.
Até que ouço a música prestando atenção, mesmo sorrindo enquanto cruzo a Atlântica, passando e dando um tchau-tchau pelo posto BR filho da puta que clonou meu cartão de crédito no mês passado, e reparo na letra...
Eu nunca sonhei com você
Nunca fui ao cinema
Não gosto de samba
Não vou a Ipanema
Não gosto de chuva
Nem gosto de sol
E quando eu lhe telefonei
Desliguei, foi engano
O seu nome eu não sei
Esqueci no piano
As bobagens de amor
Que eu iria dizer
Não, Ligia, Ligia
Eu nunca quis tê-la ao meu lado
Num fim de semana
Um chope gelado
Em Copacabana
Andar pela praia até o Leblon
E quando eu me apaixonei
Não passou de ilusão
O seu nome rasguei
Fiz um samba-canção
Das mentiras de amor
Que aprendi com você
Ligia, Ligia
E quando você me envolver
Nos seus braços serenos
Eu vou me render
Mas seus olhos morenos
Me metem mais medo
Que um raio de sol
Ligia, Ligia
Bonito, né? Mas que pessoa visionária... que apologia a mim, meu D'eus, quanto carinho e quanta ternura...
Semana ótima tá sendo a minha, hein. De dar gosto.
:: Pedrinho 1:32 PM [+] ::
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Fala que eu te escuto...
:: 2/9/2007 ::
Esse blog já tá qualquer coisa, e eu vou pra lá de Marrakesh...
É, amigos do show do Esporte (entra trilha incidental do pára-pá-pá-pá-papá... com direito a Galvão Bueno anunciando o Show do Esporte que era na Bandeirantes logo depois da mudança do Globo Esporte pra Esporte Espetacular... ou a Hebe descendo a escada toda agudunhada naquele vestido parecendo um churros de lamê... ah, Marcos Valle, tanta coisa boa tua música fez brilhar...), vou viajar.
Nota do editor, Marcos Valle já nos deu outras pérolas, como "Bicicleta" (reconhecida pelo Diário de Campos como um dos hits (?) do verão de 1990), e o brilhante "Tema de Funga-Funga",da Vila Sésamo brasileira...)
Vou passar uma semana em Barcelona, num evento de trabalho, que no ano passado já simbolizou uma subida de nível no meu diploma etílico, apesar de ter que estar na feira todos os santos dias às 9 da manhã, de ter que aguentar reuniões com fornecedores de soluções que você jamais compraria nem que fosse o homem mais rico da Noruega, com um sorriso de orelha a orelha, porque o resto da tua equipe tá na boca do palhaço de tão estropiada da véspera. Um evento que conseguia dar um overflow federal de informação na cabeça, com toda a população de telecomunicações e conteúdo do mundo confinada a uma cidade que, é linda eu sei, mas é do tamanho do Leblon. Resultado: as Ramblas pareciam a Ataúlfo de Paiva, só faltava a Regina Duarte e o Manuel Carlos. Encontrei com mais gente ali da minha própria empresa que no prédio que a gente trabalhava. Fino isso de "pô, legal te encontrar aqui em Barcelona, mas responde meu email, filho da p*"...
Enfim, pretendo não largar o blog. Acho que é uma coisa meio "jovem, ao completar 18 anos, aliste-se!", obrigação civil mesmo. Até porque se coisas me acontecem indo a um restaurante em Brasília, no aeroporto de Confins, nos Zona Suis da vida, imagine em Barcelona, num hotel de um quarto de estrela (porque cabe 1 milhão de pessoas na cidade, e a feira já tem mais de 2,5 milhões de inscritos - ou seja, não tem onde dormir, e os bares fecham 2 da manhã, já tentei isso também!), com o povo indócil pra abraçar o capeta embalado por doses e doses de chupito de melocoton (uma bagaceira de pêssego baratérrima e pior que vodka Roskoff, mas que só por ter esse nome carismático merece ser apreciada sem moderação), e depois ainda por cima ir para...
Marrocos! Dando a seqüência a minha coleção anual de Carnavais em Lugares Inesperados (ano passado foi em Maromba, no anterior Machu Picchu, antes dele na Terra do Fogo, Lençóis Maranhenses e Cambodia), na fuga insana do samba-café-bunda-pelé-carnaval, morando no que durante 10 meses do ano é o epicentro do furacão carioca, e durante janeiro e fevereiro é o mais popularmente conhecido c* do mundo, Ipanema fica insuportável. De calor, de van, de gente, de sol, de praia, odeio essa gente feliz de praia, a pessoa vai pruma areia cheia de verme, mergulha num mar viscoso que nem azeite, volta com um saco do Zona Sul colado na cara que nem o Fantasma da Ópera, fica se agudunhando em meia canga entre outros mil, uma gritaria, criança grossa tossindo areia pra tudo quanto é lado, e o ser humano ainda olha pra cima e acha aquilo uma vida muito boa...
Enfim, vou pra Fez e Marrakesh. Foi difícil abrir mão de Casablanca, porque uma semana só não dava pra três (a gente fala mal de americano que vem pro Brasil e em uma semana vai ao Rio, Parati, Buzios, Salvador, Fortaleza e ainda pega um cruzeiro de 2 dias pelo Solimões, pois brasileiro é igual, ah, eu vou pro Marrocos, quero ir nas três cidades, como se fosse do tamanho de Paquetá.... é longe pra cacete), mas depois que um amigo editor do Lonely Planet (que como guia eu acho meio fubango, vou morrer fiel ao Rough Guide,sem foto e muito texto, mas como website e forum de discussão acho fantástico) me disse que Casablanca é que nem Copacabana, vive de direito autoral, mas de turístico não tem nada, relaxei.
Vou me embaranhar por suuqs (bazares e mercados de rua), vou comer coisa esquisita no espetinho (depois de ter ido parar no hospital na China por ter comido um espetinho de escorpião mal passado, agora sou invencível!), vou pechinchar em francês (a pechinchada dói no começo porque você vê a miséria em que os caras vivem, mas depois vai subindo um calorzinho bom, uma sensação de poder, tipo tirar 6 e 6 num ataque a Dudinka com 3 exércitos e um avião, você abre a caixinha de maldades e não sobra nem um pelo do coitado do vendedor - agora em francês vai ser todo um episódio), vou ter que carregar coisas pequenas para minha amiga pelas vielas da cidade (como tapetes persas, narguilês de um metro e meio, panelas de cobre, enfim, coisas pequenas e jeitosas pra colocar no quarto do berimbau quando a gente voltar...), vou ficar em Riads, que são casas típicas marroquinas (depois de ter me hospedado num hobokan em Hiroshima, um hotel típico feudal cuidado por gueixas, ter tomado banho de baldinho e dormido no chão, com as gueixas entrando sem bater pra tirar coisa, arrumar coisa, acender incenso, e você ali achando tudo um c*, mas é que nem ir à praia de Ipanema, TEM que ser lindo, então você ama), vou voar de Royal Air Maroc, onde o "chicken or pasta?" do serviço de bordo deve ser só coisa light como "carneiro ou bisteca de camelo?" num avião cujo banheiro deve ser certamente desenhado pelo Phillipe Starck, aliás, num país em que não usa papel higiênico, e, o principal, sob ameaça da minha amiga de, se eu não me comportar, ela apontar pra mim no meio da medina e falar "judeu!!!!", e eu ser enterrado numa pracinha até a cintura e ter que sobreviver a 20 minutos de apedrejamento por "professar religião que não a do Alcorão"...é.. panic at the medina...
Tenho um certo pressentimento de que terei histórias pra contar...
:: Pedrinho 8:50 AM [+] ::
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Fala que eu te escuto...
:: 2/6/2007 ::
Post sem graça, mas absolutamente real. Esta semana me aconteceram algumas coisas daquelas que só podem acontecer pra irritar um. Semana corrida, cheio de coisa pra resolver, e as coisas resolvem acontecer bizonhamente, aí não tem sacristão que resista a escrever uma lista com...
As 7 coisas que me tiraram do sério essa semana... e a semana amanhã tá chegando no meio ainda.
Esta lista é que nem os 10 mandamentos, e os 12 homens sem um destino - não tem ordem de importância, tudo é mortalmente capital, importante e, acima de tudo, irritante. E acontece sempre. Agora se acontecem os 10 numa semana, pode entrar no mercado se jogando em pilha de panetone em promoção (sim, ainda tem panetone em promoção num mercado classe X-Y-Z perto do meu trabalho...), socar 10 no ponto de ônibus, que D'us perdoa.
1. Receber trouxinha de dinheiro em caixa de farmácia e super-mercado.
Você já tá terminando de empacotar as coisas no caixa do mercado (porque se tiver um empacotador, ele acha que você é um polvo, e calmamente coloca cada item num saquinho, pra não misturar o sabonete com o pão de forma, e você tem que sair colocando saco dentro de saco, pra não andar pela rua que nem a Árvore da Lagoa com 28 saquinhos na mão - ah, saudades da saca Sendas...), paga com dinheiro, e vê lentamente a caixa pegando a notinha... depois as notas do troco... depois as moedas do troco... e, ao invés de te dar tudo de uma vez, ela faz uma trouxinha, com a nota fiscal por baixo, as notas de dinheiro por cima, e as moedas que nem a cereja desse sundae de papel imundo, como se você fosse fechar a mão e fazer um Apfelstrudel de moeda pra meter no bolso. Custa te dar as coisas separadas, porque a nota vai num lugar, a moeda em outro, e a notinha invariavelmente pro lixo?
2. Comprar passagem pela internet e receber duas vezes a confirmação da ida e nunca a da volta.
Eu sempre fui rato de internet, até que tomei um tombo do Submarino, que se tivesse acontecido esta semana certamente tava nessa lista, mas faz tempo. Eu fiz uma compra, nunca chegou, entrei no "Meus Pedidos" e vi que tava entregue num endereço em Santarém, no Pará. Ai liguei pra lá pra falar que tinham fraudado meu cadastro. O atendente perguntou se eu reconhecia a compra. "A compra sim, reconheço, mas meu endereço nunca foi esse". "Mas a compra foi o senhor que fez, senhor?", "Sim, eu fiz, mas meu endereço não é esse.", "O senhor não atualizou seu endereço pelo site ou pelo televendas, senhor?", "Meu amigo, como é que eu podia ter atualizado meu endereço se esse não é o meu endereço?", entrei num loop surreal, mandei à merda e desliguei. Prefiro dedicar a última gota de sanidade que sobrou em mim pra panfletar contra o Submarino - e se um dia eu for a Santarém vou matar um paraense, e ainda vou enfiar no c* dele meu headset da Nokia até a luzinha do Bluetooth sair do rabo dele e iluminar a rua que nem pirilampo. Desculpem a grosseria, mas fiquei mutxo putxo.
Enfim, resolvi passar o carnaval em Marrocos, e como a passagem vai sair de Barcelona pra Marrocos, quem voava a preços pagáveis por quem não ganha em euros é a Royal Air Maroc. Pára, respira fundo, pensa, repensa, lembra das viagens de Air India e China Eastern Airlines, em aviões da II Guerra, aeromoças desdentadas e um futum de matar um, fazer o quê, é vôo curto, tá barato, vamos lá. O site é bonitinho, porque quando é aqueles sites que parecem PowerPoint você nem entra. Comprei a passagem. Ida e volta. Pra mim e pra Vi. Deixo email de confirmação, porque é e-ticket (se for ticket normal, não posso comprar, tenho que comprar de lá, e vai que termina, tô justo de datas, vamos no e-ticket mesmo).
Dois dias depois chegam dois emails de confirmação. Os dois do mesmo trecho. Ou seja, pra Fez eu vou. Agora acho que vou ficar, literalmente, pra lá de Marrakesh, porque essa confirmação nunca chegou. Amanhã vou juntar meus cacos de francês e ligar pro Call Center da Royal Air Maroc. Se pro do Submarino foi o que foi, imagine o da Royal Air Maroc...
3. Garçon que consegue errar teu pedido de cabo a rabo.
Errar pedido é uma arte que alguns levam ao extremo. Referência aqui ao garçon do "sim" de dois posts atrás. Mas a menina da livraria hoje me espantou. Almoçar ali é todo um evento, mas hoje foi a cereja do meu sundae. Eu falei uma sopa e uma coca-cola, meu amigo pede um prato do dia e um mate, a menina se põe a anotar o que devia ser o conto perdido de Reinações de Narizinho do Monteiro Lobato, porque o pedido não podia ser. Ou então baixou uma Gasparetto ali. Meia hora depois ela me olha e "a salada é...", e eu "dele. Eu pedi a sopa". "Ah, verdade (parêntesis: "verdade" é ótimo), de abóbora, não?", "não, palmito", "ah, perfeito". Risca-risca-risca, borra-borra-borra, desiste, vira a página do bloquinho e faz o download de outro capítulo. Depois, pergunta "o suco?", "coca-light, com gelo e sem limão", "sem gelo?", "do jeito que vier". Sentiu que tô irritado... quando chega, chega uma salada pra mim. "Deve ser de outra mesa, a sopa não vem com salada".
4. Congonhas resolve entrar em manutenção de uma pista no dia em que você vai a São Paulo.
Já estou achando que a ANAC é a Agência Nacional para Apurrinhar o Carlos. É de enlouquecer qualquer um. Amanhã estou indo de TAM (um ponto), às 7 da manhã (dois pontos), pousando em Congonhas que vai estar com uma pista fechada (3 pontos), para uma reunião cedo no Butantã e outra às 5 da tarde em Barueri (4, 5, 6 pontos). Depois volto no vôo das 9 da noite (7 pontos), Congonhas deve estar parecendo uma cena da Paixão de Cristo do Mel Gibson (8 pontos), pra chegar em casa e ainda ter uma outra reunião na quinta às 8 e meia da manhã no Rio. Na boa, ninguém merece isso. Conseguiu superar minha estada em Brasília no dia da posse.
5. Ir a um show dos Mutantes e se ver de repente no meio de uma reunião de condomínio do seu prédio, ou numa padaria em São Pedro d'Aldeia.
Show dos Mutantes foi um equívoco. Primeiro que eu já devia estar meio da pá virada (sim, este é um post garoto enxaqueca, ainda acho que vou deletar). Depois que eu achei que o Tapa-MAM (o Vivo Rio) era maior, por fora parece ser enorme, por dentro você vê que ele é só do tamanho necessário pra tapar o MAM e estragar a onda do TIM Festival, do Fashion Rio, etc. Mas o lugar é pequeno, tem um segundo andar que deixa uma impressão de teto baixo em quem está na pista, meio que fica esquisito. Aí você olha em volta pra ver a onda dos malucos.... pô, tô sempre em Mauá, sou filho de bicho-grila, sou largado, acho que sei mais ou menos o que esperar das pessoas que vão no show do Mutantes, mas vi duas galeras que eu não esperava. De um lado, pessoas que em seu tempo deviam curtir Mutantes, mas que ao longo do tempo viraram professores do Ibeu, gerentes do Banerj, gente que você vê comprando tapiruê (tupperware) na Casa e Video, sei lá, gente muito normal demais... será que só meus pais ficaram na maluquice???? Do outro lado, aquela garotada que depois que adotou o visual sujinho com barba porque ouço Los Hermanos não uso shampoo e pulo que nem um doido, acha que é dos anos 60. Impressionante... esse povo então, fico doido com isso. Hoje você vê esses Los Hermanos cover em shows dos próprios, do Cidade Negra, e dos Mutantes, e nenhum desses conjuntos tem a ver um com o outro. Acho que esse visual, antigamente restrito à galera do Serviço Social, é passaporte pro mundo cabeça. Eu tava de jeans, tênis estropiado e camiseta Hering, me senti de terno. E limpo, me senti muito limpo. Tava até sentindo o cheiro do meu shampoo de 4 reais o tubo, luxo e asseio desnecessário. E aquela gente pulando, suando, gritando, caindo por cima... aquilo foi me irritando, irritando.. em boa hora veio um tsunami de marola e eu me acalmei.
Eu tenho 3 discos dos Mutantes, consegui conhecer só umas 3 músicas de um show de mais de 15. Impressionante. Passei uns 45 minutos do show querendo ir lá fora pra comer um milho. E show tem uma hora que, se não bateu legal, dá revertério. Fiquei de bode até o final... também, eu já tava insuportável - meu inferno astral começou 10 meses antes do meu aniversário, pode ser isso... só animei depois, porque meti 3 Negronis pra dentro e aí once I was lost, but then I was found...
6. Sua Net de repente congelar a imagem e aparecer um quadrinho amarelo "sinal não localizado. Por favor, tente reconectar mais tarde, caso não consiga entre em contato com a central de atendimento".
Esse é de arrepiar até cabelo detrás do joelho. Você está com a sua Net ligada, pelo menos está com ela em paisagem "mode", não tá nem vendo nada, só ouvindo o barulho pra não dormir enquanto trabalha, só parando pra ouvir aquelas propagandas surreais tipo "Você sabia que 3 colheres de Helmann's Light tem tantas calorias quanto apenas 1 colher de azeite? Helmann's Light... é light mesmo!" Não sei quem é que acha isso pouco, uma colher de azeite dá pra temperar umas 3 saladas, mas tudo bem. Paisagem, paisagem. De repente, um silêncio. Você olha pra televisão e vê a mensagem do além. E fica com cara de c*. Tanta coisa pra acontecer de repente, tipo eu receber a anunciação de um anjo, incorporar um Borges e fazer o post do século pra acordar um mês depois vestido de cachorro numa ilha em Mangaratiba, mas não. Comigo a Net desintegra. Sim, porque se eu não mexi, não fiz nada, como é que o "sinal não foi localizado" ? Eles é que perderam a porra do sinal, não fui eu que não localizei o sinal!!! Combustão Espontânea do Sinal, isso sim.
Aí você respira fundo, já conhece a rotina. É que nem quando dá pãm! no Windows (tela azul de travamento geral) - é desligar e ligar de novo, não se dê ao trabalho de entender por quê porque isso São Pedro explica na fila do céu. Desliga TV, desliga caixinha da Net, puxa cabo, liga de novo, e nada. Liga pro Call Center, e não aceita chamada de celular. Vai no quarto, liga do fixo sem fio, não tem bateria. Ligo do bat-fone (tenho um ericofon na sala, a fio, original de 1950, ah, desse funciona. Aí você ouve uma voz de moça educada dizendo "nossa central está com sua capacidade de atendimento lotada, a previsão de atendimento é em..." entra outra voz já meio sem educação "cinco", volta a mocinha educada "minutos....". Aí disco um 0, caio no menu anterior, e vejo que discando 5 eu ouço localidades com problemas. Disquei, e ouço (eram 21hs) que (entra a vozinha da moça educada) "assinantes do bairro...." entra a prima má da mocinha "Penha", volta a mocinha "a previsão de retorno é às 22:30hs... no bairro..." volta a prima "Penha Circular", outra vez a prima legal "a previsão de retorno é às 23hs" e por aí vai. Os bairros são perto um do outro, e nada de Ipanema falhar. Desisti. Botei um DVD e fiquei ouvindo paisagem de filme.
Hoje chego em casa às 20hs, e tá lá o aviso amarelo. Aí é foda. Resolvi repetir o desliga e liga desde a tomada da parede. Aí funcionou.
7. As pequenas verdades da vida...
Não é possível colocar uma coisa de volta numa caixa e ficar igual ao que estava. Também não dá pra você abrir correspondência serrilhada sem destruir exatamente a parte da conta que você quer ler, preservando uma folha inútil de mala direta ou de orientações inúteis absolutamente intacta.
Canetas somem, e a cola do post-it dura o tempo em que você ainda lembra do que escreveu. Assim que você esquecer, ela acaba, e o papel cai atrás da sua mesa.
Haverá sempre um cubo de gelo que vai cair no chão quando você tirar da bandeja. E ele vai escorregar pra debaixo da geladeira..
Todos os interfones do prédio e do prédio ao lado dão sempre pro mesmo prisma de ventilação, e têm o mesmo som do seu prédio. E algum dos dois porteiros vai sempre ter que ligar pra um dos 11 apartamentos em volta de você no meio da madrugada.
Na sua frente no supermercado sempre haverá a pessoa mais atrapalhada, calma e desprovida de senso de urgência que já caminhou no planeta... e que vai se embananar na hora de recolher a trouxinha de dinheiro do troco.
Apesar de todo mundo concordar que não tem nenhuma razão praquilo existir, os filmes em DVD e no cinema vão continuar com aquele aviso do FBI mesmo fora dos EUA, as pessoas vão sempre parar o carro mal na garagem mesmo que morem ali 2.000 anos, e sempre haverá um tipo de conta que você precisará ir ao banco pra pagar.. como o meu IPTU, que vence amanhã, e eu passo a porra do dia todo em SP.
Hoje eu tô da moléstia...
:: Pedrinho 9:53 PM [+] ::
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Fala que eu te escuto...
:: 2/2/2007 ::
O macaco, a macaca, o pôr do sol, o garçon do sim, o tempo imprevisível e a centopéia, ó centopéia...
Eu sempre acabo querendo ser mais frequente aqui, mas não consigo. Coisas acontecem todos os dias, mas como eu sou prolixo pra chuchu, acho que nada tem o potencial "literário" pra render um post, ou então que eu vou encher o meu saco e o de todo mundo postando... até que acontece outra que você tem que compartilhar... aliás, nos últimos dois dias foi um festival...
Tive que passar os dois últimos dias em Brasília... trabalho... cliente importante e bem legal, mas aquilo é o faroeste caboclo. Enfim, fazer o que, entuba e vai. Vai de Gol, que TAM é um inferno, eu consegui estar reservado (e obviamente perder) todos os vôos da TAM nos últimos meses, daqueles de quebra-quebra em aeroporto e tudo. Aliás, consegui sair no jornal em dois quebra-quebras diferentes no mesmo dia - na ida (atrasada) pra Minas, ainda no Galeão, e na volta, 11 da noite, mais atrasado ainda e "sem previsão, senhor" em Confins (nome perfeito praquele c* de mundo).
Enfim, acordei, tomei banho, entuchei uma camisa social num compartimento da minha mochila que eu nem sabia que tinha (minha mochila tem até quarto do pânico, se alguém vier me sequestrar eu posso passar 3 dias ali dentro com ar, água, energia elétrica e um banquinho caipira), e pego o carro. Ir de carro pro aeroporto pra uma viagem de 2 dias é mais barato do que taxi, e a única forma de garantir que 3 pessoas vão conseguir pegar o vôo das 7:30 - é ir pra porta da casa deles às 6:30 e buzinar até acordar o padre e o leiteiro.
Peguei o carro, um zumbi de tão grogue, e ligo o rádio. Às seis e pouco da manhã, as rádios ainda não são "as rádios", não começaram a programação normal. Aqueles programas de "naftalina", good times e etc, geralmente começam as 7, então 6:30 é terra de Marlboro no seu dial. Tirando a Oi FM, tudo coisa esquisita. E botei na Transamérica (acho). E o locutor tava encerrando um programa que devia ser de auto-ajuda, e ia contar um conto do Paulo Coelho... que vou tentar, tentar, mas não vou conseguir, escrever rapidinho a seguir...
"Um dia, o macaco estava com a macaca no galho, vendo o pôr do sol. Aí, a macaca pergunta ao macaco..."
Pausa. Acho engraçadíssimo esses contos que tem umas frases ou situações completamente surreais, tipo uma macaca e um macaco vendo o pôr do sol, trepados num galho, super jipe-jipe-nheco-nheco-no-coqueiro, e de repente a macaca pergunta "AO" macaco. Não pergunta pro macaco, mas pergunta "AO" macaco. Acho uma coisa muito fina, mais fina que palito Gina... sigamos...
"A macaca pergunta AO macaco: Macaco, por que o céu muda de cor no pôr do sol?
No que o macaco retruca (pausa rápida: adoro "o macaco retruca" este conto é cheio de coisas assim. É o estilo Paulo Coelho. Situações imbecis, que não dizem nada, mas que retrucam, se deparam, me mim comigo, te ti contigo, um delírio da mesóclise...) "macaca, pare de buscar razão para tudo... o céu muda de cor simplesmente porque muda... não perca seu tempo perguntando essas coisas, simplesmente aprecie a beleza que a Natureza nos oferece...."
Poderia ter acabado aí, e seria uma moral imbecil e pronto. Digna do Paulo Coelho. Mas ele é soberbo... quer ser um La Fontaine do terceiro milênio, e continua o conto, pra desespero da macaca e minha êxtase no volante no céu lusco-fusco de um dia chuvoso as seis da manhã.
"A macaca, indignada, responde ao macaco - Macaco, deixe de ser primitivo (note a picardia do Paulo Coelho - macaco, deixe de ser primitivo.. esse homem merece o fardão...). Tudo tem uma razão, seja lógico e veja que deve haver uma explicação para tudo!!"
Aí é que vem a parte mais surreal. O macaco olha para baixo, e vê que está passando uma centopéia. Acho centopéia um dos bichos mais carismático do mundo das fábulas. O macaco vira pra centopéia e pergunta.
"Centopéia, ó centopéia (sic), como é que você consegue andar com tanta beleza e harmonia com tantas patas?"
Beleza e harmonia no andar da centopéia eu já tava às gargalhadas, devia ser o único ser rinte do Rio a essa hora.
"Ah, macaco, é fácil.. primeiro, eu movo as patas da frente, e depois... não... não, espera... não, não é isso. Primeiro eu inflexiono os músculos de trás, em seguida... não, também não. Para conseguir andar, eu primeiro movo o lado direito, e em seguida.. não, também não..."
E a centopéia se enrolou toda, tropeçava, não conseguia explicar como conseguia andar com tantas patas. No que o macaco, triunfante, volta à macaca e diz "Está vendo, macaca? Algumas coisas não podem ser explicadas. Elas simplesmente são..."
Segundo momento para acabar de forma imbecilóide uma história que só pode ser caricata e surreal. Mas não. Ele continua. Quando você pensa que a macaca fez aquela cara de Marlene no final de piada em Zorra Total (fuó, fuó, fuó, fuóóóóó...), segue o locutor.
"E a centopéia responde: e eu, macaco, como faço agora que não consigo mais andar???"
Me borrei de rir. Quando a primeira passageira entrou no carro, não me aguentei, tava às gargalhadas... tive que contar pra ela, foi hilário. Deu seis e meia, começou o programa de flashback.
Embarcamos, taxiamos, atrasamos, chegamos, fomos ao cliente, yadda-yadda-yadda, fomos jantar. O cliente sugere um restaurante árabe. Estou indo pro Marrocos em duas semanas, vamos lá fazer um boot camp. Fomos.
Chegamos lá, olhei o cardápio, não como carne vermelha, mas sempre tem falafel e eu adoro falafel. Folheia cardápio, folheia cardápio, e nada de achar faláfel. Não é possível. Tem humus, pega uma bola e frita, não acredito. Não tinha. Chamei o garçon, que já tinha se embananado mortalmente no pedido das bebidas - sabe quando você está já com a quarta pessoa da mesa pedindo uma coisa, ele vira pra primeira pessoa que pediu um guaraná e aponta a caneta e repete lentamente "uma coca-cola normal com gelo e limão, certo?". Pegamos o garçon do "sim"... aquele que não sabe o que está falando, mas é incapaz de dizer "não".
Perguntei pra ele "vem cá, você tem falafel?"
Longa pausa. Deu pra centopéia reaprender a andar, subir na árvore e dar uma coça na macaca. O garçon volta, e, incapaz de dizer não, "retruca": "senhor, se está no cardápio, nós temos. Temos tudo o que tem no cardápio". E eu respondo "é porque vocês têm tudo que dá pra fazer com grão de bico, mas não tem falafel", "senhor, do cardápio fazemos tudo, se está ali..." nessa reticência ele chamou um outro, eu pergunto "tem falafel", o outro "não" e vai embora. Eles trabalham em duplinha, esse último era o garçon do "não".
E o bicho se enrola todo, a noite toda. Mas não diz um não. Na hora do cafézinho, trazem os cafés com três pratinhos: um cheio de sachês de açúcar e adoçante, outro com aquela casquinha de laranja com açúcar, e outro com uns carocinhos. Celeuma e perturbação na mesa, o que seriam os carocinhos, eu botei cinco reais que era caroço de laranja (ah, vai saber), quando uma amiga fala "é cardamomo"... whodahell... chamamos um garçon, veio o do "sim", e perguntamos, "O que é isso?", ele fica olhando, a Márcia fala "é cardamomo?", ele "sim, é cardamomisson (sic)"... ela segue "isso é pra comer junto com o café?", e ele "sim, pode-se comer sim...", ela "com caroço, ou tira o caroço?", ele "sim, pode ser... pode ser com o caroço sim..." ela "dentro do café?", ele "sim, pode ser também...."
Surreal... se "pode-se comer sim", então pode-se não comer, é pra fazer o quê com aquilo, diabo? "com caroço ou sem caroço", e ele "sim, pode ser com caroço..." então deve ser sem o caroço? Por que não diz? Várias piadinhas previsíveis sobre como ele poderia ser um político, já que não diz nada e já está em Brasília mesmo, e fim da história...
Dia seguinte, a mesma amiga vai pra recepção do hotel com uma blusa, mas sem casaco, e apesar do calor do cerrado que fazia na noite anterior, amanheceu cinzento e frio. Ela pergunta na recepção "oi, por favor, será que durante o dia vai esquentar, vocês sabem a previsão do tempo?"
O recepcionista responde "senhora, a previsão é imprevisível (sic)... pode chover, pode fazer sol, pode esquentar, pode ficar como está, pode chover..." Carai.. o cara devia ser irmão do garçon do "sim". Eu já tava rolando no chão.
E o pior é que o cara acertou. No mesmo dia começou frio, depois fez sol, depois choveu uma tempestade, depois ficou tempo bunda cinza como estava de manhã.
Realmente Brasília é imprevisível.
Obrigado, Paulo Coelho. Eu sei que foi você que me deu estes dois dias maravilhosos, e que me ensinou a não tentar explicar essas situações, macaca, ó macaca, e simplesmente apreciar a desarmonia dessa gente que se está no cardápio fazemos senhor, que pode ser com casca, que pode botar no café, que pode chover, que pode fazer sol, que pode ficar como está... sem reclamar, tentar entender ou argumentar...
E força, centopéia! Se embolar aí, te recomendo um Shiatsu de quebrar os ossos na Praça da Paz.
:: Pedrinho 12:24 AM [+] ::
...
Fala que eu te escuto...
:: 1/22/2007 ::
Sem título. Sem comentários, sem jantar... totalmente sem sentido...
Hoje vai um sobre as trivialidades da tecnologia moderna num momento em que você não precisa delas, só de um banho quente (que pode ser a gás) e algo na geladeira, e só.
Cheguei em casa, e tô hoje naquele dia véspera de empregada, em que não tem nada na geladeira. Aliás, tem pior que nada, que é acompanhamento e condimento pra nada. Não sei como pode um ser humano, leia-se eu, chegar ao ponto de ter mostarda e não ter um puto de um cremicráquer. Minha coleção dos minitubinhos de molho shoyu do Mirai então é fantástica. Não sei como pode um ser humano, leia-se o cara que empacota o sushi no delivery do Mirai, colocar sempre um tubinho e meio a mais de shoyu em cada pacote, aí vai sobrando tubinho na geladeira, quando chega a dez você se sente um serial killer, com aqueles potinhos na geladeira. Você pede o cardápio de delivery, você pede aquele adesivinho de geladeira neo-cafona, não vem, mas tubinho de shoyu ele soca naquela sacola do delivery como quem tá distribuindo aqueles papéizinhos de COMPRO OURO em plena Nossa Senhora. Se bobear, dá até aquela esfregadinha um no outro do Compro Ouro.
Enfim. Moro a exatamente a mesma distância de 3 Zona Sul's (Zona Suis?). Aliás, acho que todo mundo mora à mesma distância de pelo menos dois ou três Zona Sul's (Zona Suis?). Eles vão te achando pela cidade, quadrangulando seu ser, triangulando sua vida, e quando você menos esperar, você está cercado deles. Se você expandir pra 20 metros a mais a distância, só daqui são cinco Zona Sul's (Zona Suis?). Se eu for no cinema, mais dois deles. Quero ir no Togu, meu japa favorito? Dois de um lado e um do outro. É uma coisa meio número de Kevin Bacon. Acho que aqueles três últimos números do CEP são pra achar o Zona Sul mais perto de você. Aliás, até o slogan é uma praga. "Tudo pra você gostar da gente". E tudo é tudo mesmo. Ele tá em todo lado. É limpinho, é arrumadinho... é carinho também, mas você paga pra não tomar canelada de carrinho de supermercado (porque os do Zona Sul são dinamarqueses, de plástico, anatômicos e batem acima da canela, ninguém sente a pancada, é uma maravilha...
E, dentro os Zona Sul's (Zona Suis?) que tem por perto, é sempre assim - são dois bons, e um xuleba. Tem um meio xexelento, herança de um Mar e Terra antigo, uma papelaria, um troço qualquer que não podia ser mercado, e que vira o low end.
Hoje, por preguiça de atravessar a rua e ir no VIP, fui no xuleba.
Queria comprar queijo, berinjela pra empregada fazer amanhã, uma coca-cola e vi ali, quietinho, um congelado da Sadia de uma linha de soja (não como carne vermelha nem frango - só peixe de carne... então tome soja). Peguei, vai ser o de hoje, botei na cestinha (no xuleba não é aquela high tech ergonômica do Phillipe Starck que tem no VIP, mas também não é aquela que se pegar dá tétano... é uma de "prasto") e fui pro caixa.
A menina me atende com o clássico "tem cartão Zona Sul?", e eu "não". Agora eles poupam tempo, porque antes ainda era "chaveirinho?". Acho que a pessoa entende quando não tem o cartão mas tem o chaveirinho, cuja função não é pendurar suas chaves, mas sim ter o número do cartão, mas enfim, pararam de perguntar. E a menina passa o queijo, passa o pão, passa a Coca, viu que eram duas, digitou 2 e passou só uma, eu penso oba, peguei uma espertinha, tem umas que passam uma, e a outra, e a outra... quando chega a hora do congelado, ela passa e dá "R$ 0,00, produto não cadastrado".
Pronto.
É nessa hora que é o princípio do fim.
"Produto não cadastrado" é o sinal de que a coisa vai feder. A velhota detrás de mim manda um "ih... agora vai..." e já muda de fila. Porque não tem fila de idosos, disso não se pode reclamar - o xuleba é democrático e sem preconceito de sexo, idade ou cruz-credo. Lentamente, as pessoas atrás de mim vão se afastando. Tenho um pressentimento de que realmente vai ser horrível. E a menina do caixa fica sacudindo aquela caixa da Sadia na mão, como se sacudindo ela cadastrasse no sistema (agora que tem isso de "blu-tú", de repente cadastra mesmo). Mas fica sacudindo e não faz nada.
Aí para uma senhora atrás de mim, porque nessa hora a fila estava em outro caixa qualquer. A menina fala "minha senhora, melhor ir aqui do lado, porque aqui vai demorar". Achei que o negócio tava quase resolvido, se sacudisse oito vezes cadastrava sozinho, que nada, ainda tava "começando a demorar". Aí eu volto a cabeça, tirando o foco da velha pra olhar a menina, e levo na cara um grito "DENIIIIIIIIIIISE!", e foi quando eu perdi os sentidos. Quisera...
Vem Deniiiiise. Que pela demora, deve atender a todos os Zona Suis. Deve ser a responsável pelo setor dos produtos esquecidos. Se comida tivesse perninha, de vez em quando você ia ouvir no Zona Sul assim "senhor Dove, por favor senhor Dove, favor comparecer ao Ponto de Encontro. A atendente Deniiiise a espera". Ou então aquelas coisas bárbaras que eu ouço nas Lojas Americanas, que eu entro só pra ouvir: "Denise, B-48, Denise..." eu fico fascinado com isso. Não sei se é Batalha Naval que eles jogam, não sei se é bingo, mas acho ótimo. Lá no trabalho, de vez em quando eu chamo um assim... "Leonardo, F-38, Leonardo..."
Aí veio Denise, levou a caixa "pra ver o cadrasto no estoque", diz a menina. Eu sei que não é isso. Pensei, juro que pensei, mas acho horrível isso, abandonar a soja em combate. Fatalidades de guerra, mas não tava a fim de comer pão com queijo no jantar. Dei um tempo.
Longa pausa.
Gerações se passam. Montes de feno. E nada de Denise.
Agora é que vem o motivo do post. De repente chega Denise, me olha com uma cara puta dentro da roupa, e me fala a pérola:
"Senhor, este produto não é vendido nesta loja".
De tudo o que eu podia esperar ouvir, e acredite, tive muito tempo pra pensar em várias coisas que eu ouviria de Deniiiiiise, essa eu jamais imaginei...
"Como assim, não se vende nessa loja?"
"Aqui não trabalhamos com este congelado."
"Mas eu achei ele ali, junto dos outros! Tem um monte ali! De onde você acha que eu tirei isso?"
"Não sei, senhor, mas aqui não se vende este produto".
"Denise, pelo amor de deus, você acha que eu trouxe isso de casa?"
"Não trabalhamos com este produto, senhor, desculpe..."
Foi a barreira da surrealidade. Paguei o que já tava registrado e que vendia naquela loja, e vim pra casa, com uma sensação que nunca tinha sentido na vida. Me senti um coadjuvante do Tutuca no Zorra Total. Até aquela cara de Marlene quando faz o fuófuófuófuóóóó da piada eu fiz, me pegou totalmente desprevinido...
Pelo menos eu descobri a origem daquele monte de troço que sempre tem no caixa, que não é do cara da frente, que não é teu, e que tá ali na esteira do caixa do Zona Sul. São alimentos que surgem por abiogênese, ou que se teleportaram por ali quando atingiram o nirvana do Hortifruti. Porque não vendemos este produto aqui, senhor.
Adivinha o que eu jantei?
Pão com queijo.
:: Pedrinho 9:12 PM [+] ::
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Fala que eu te escuto...
:: 11/20/2006 ::
Vivir... Con el alma aferrada a un dulce recuerdo que lloro otra vez...
Ontem fui ver Volver, do Almodóvar.
Sou fã de Almodóvar sim. Sou discípulo, seguidor, defensor, fico embasbacado como é que ele consegue me dar uma catarse sensorial cada vez que eu assisto a um filme dele. É uma overdose que me levanta do pior dos estados, que nem ontem, que eu tentei trabalhar num prédio de frente para a Praia de Botafogo sem ar condicionado no domingo e quase assei, e saí de lá querendo ser a orca da Marcha dos Pinguins e matar todas as coisas lindas, belas, puras e fofas. Queria sangue. E ganhei Volver.
Gostar de Almodóvar e gostar de Tarantino é meio que unanimidade. É que nem NÃO gostar de Roberto Benini. Almodóvar e Tarantino usam a dinâmica da estética para dar uma nova linguagem ao roteiro. Almodóvar e Tarantino usam a linguagem da dinâmica para dar uma nova estética ao roteiro. Almodóvar e Tarantino usam a dinâmica do roteiro para dar uma nova linguagem à estética. E vai lá, combinação das quatro palavras duas a duas, que sempre vai fazer sentido. Mas é lugar comum. Todo mundo ama.
Mas eu gosto de Almodóvar também como quem gosta de Manuel de Oliveira, e aí a torcida do Flamengo torce o nariz. Ainda vou postar o raio do diálogo d' Um Filme Falado, aqui, e se eu for preso por ter rompido algum copyright, morrerei feliz em cárcere por ter levado isso aos outros com mais calma. O Almodóvar consegue te levar, a cada segundo, no limiar da sensação do sublime, e aí eu tô falando do sublime mesmo, uma coisa Schoppenhauer, uma coisa Kant.
Tudo no universo do Almodóvar é profundamente banal, profundamente comum e está no meio de nós, amém. É desejo, é culpa, é inveja, é pulsão, é a brutalidade, é a sensibilidade. Não tem nada absolutamente fora do comum, mas os filmes dele conseguem jogar tudo na tela, ao mesmo tempo e agora, de uma forma que você se liberta de tudo aquilo que você tem em comum com aquela trama, e simplesmente aprecia. E é exatamente o processo que o Schoppenhauer define que a arte serve como ponte para levar o ser humano pra chamada "contemplação desinteressada" - e você consegue penetrar numa profundidade do filme que vai além da sua (sua, minha, nossa) dor e transtornos pessoais. Todo mundo já ficou escravo do tesão numa noite da vida e já entrou numa mega bad trip por causa disso, mas você vê Labirinto de Paixões e você saca. Todo mundo já sentiu que a vida tava indo pro buraco, mas os que viram O Que Eu Fiz Para Merecer Isso conseguem sair daquilo ainda meio tontos. Todo mundo aqui tem issues com mãe, mas Tudo Sobre Minha Mãe é lírico até rodarem os créditos. Todo mundo acha que ama de menos ou sofre demais, mas ninguém consegue resistir a achar A Flor do Meu Segredo uma das coisas mais absurdamente poéticas e sublimes que já se viu... É tudo uma experiência muito, muito maior do que você...
Assistir a Almodóvar é uma experiência de catarse e contemplação... já dizia o urubulino do Schoppenhauer, "a arte atenua os males da vida ao nos mostrar o eterno e o universal por detrás do transitório e do universal." Algo define melhor Almodóvar?
Entrei nessa onda filosófica porque Volver pra mim foi tão fantástico, tão fantástico, que me lembrou uma discussão que eu tive sobre BELO e SUBLIME, e a diferença entre filmes BELOS e SUBLIMES. E como outro dia eu vi Little Miss Sunshine e adorei, precisei ver Volver pra sacar a diferença entre um filme BELO (Little Miss Sunshine) e SUBLIME (Volver). Tudo bem, ainda prefiro o sublime d'A Flor do Meu Segredo , mas sim, Volver é sublime.
O belo é aquilo que agrada e é finito, está nos limites da razão humana, e você sai dali achando que é belo. O belo dá um sorriso nos lábios, você sai a fim de fumar um cigarro, tomar um café e encontrar gente que concordou como o filme é legal e até elaborar um pouco. Mas não te cutuca no teu âmago não. É meio como se você tivesse captado aonde o diretor queria que você chegasse, e você saísse com a idéia de que chegou. É sentimento, mas é intelecto ainda.
O sublime não. O sublime assusta. Kant dizia que estar diante de algo sublime te provoca uma desarmonia em relação às "faculdades", pois o sublime assombra, é terrificante e de uma beleza magnífica e absolutamente grande. O dia é BELO, a noite é SUBLIME. O sublime surge de uma tensão entre imaginação e razão gerando uma relação conflituosa da imaginação com a razão. E você sai em silêncio, só consegue falar ou um "caralho..." ou então nem isso... são cenas que te cutucam a alma, é você sair do cinema ainda com o climax em você. Schoppenhauer dizia que contemplar o sublime é a única forma de esquecer da dor, e entrar numa vibe de se deixar levar pela forma, pela cor, pelo diálogo, pela trama, e se deixar levar pelo êxtase de uma sensação toda misturada... é realmente sair dali e falar "caralho..."
É a sensação que se tem quando se sai de Volver. É a volta para se eximir da culpa, é a culpa que vêm de algo que foi a única coisa que se podia fazer (matar aos homens que as traíram), e o abraçar a culpa e fazer disso um exercício de vida, é se abrir para perdoar mesmo num mundo sobrenatural e histriônico... É desmistificar a culpa - porra, todo mundo fez algo que te gerou culpa, não importa já se é certo ou se é errado, na hora se fez o que se tinha que se fazer, e o que se precisa fazer pra se redimir e pra poder seguir vivendo algo diferente de um pesadelo de mediocridade é voltar - voltar, voltar e arcar, voltar e bancar. Voltar é foda. Eu fujo pra cacete. Por isso talvez essa onda toda do voltar tenha me pego de jeito...
E tudo isso sem perder o toque do Almodóvar para as cores (tudo o que tem que ser vermelho e amarelo o é, tudo o que tem que ser azul e preto o é), o passo do tempo (tudo o que tem que ser rápido e em movimento e divertido o é, tudo o que tem que ser lento com câmera parada e dando o tempo pra se sentir o chinelo da Carmen Maura se arrastando no chão o é)...
E pra quem viu e não prestou atenção na música que a Penélope Cruz canta, PQP, o cara meteu Gardel no meio, um dos tangos mais lindos que tem no mundo.. Volver... (Retornar)
yo adivino el parpadeo (eu adivinho que o piscar)
de las luces que a lo lejos (das luzes que à distância)
van marcando mi retorno (vão marcando meu retorno)
son las mismas que alumbraron (são as mesmas que iluminaram)
con sus pálidos reflejos (com seus pálidos reflexos)
hondas horas de dolor (horas profundas de dor)
y aunque no quise el regreso (e ainda que eu não tenha querido voltar)
siempre se vuelve al primer amor (sempre se volta ao primeiro amor)
la vieja calle donde el eco dijo (à velha rua onde o eco disse)
tuya es su vida, tuyo es su querer, (essa é a sua vida, esse é o seu querer)
bajo el burlón mirar de las estrellas (sob o olhar sarcástico das estrelas)
que con indiferencia (que com indiferença)
hoy me ven volver (hoje me vêem voltar)
Volver... (Retornar...)
con la frente marchita (com a testa franzida)
las nieves del tiempo (as neves do tempo)
platearon mi sien (esbranqueceram minhas têmporas)
Sentir... (Sentir...)
que es un soplo la vida (que é um sopro da vida)
que veinte años no es nada (que vinte anos não são nada)
que febril la mirada (que o olhar febril)
errante en la sombra (insistente pelas sombras)
te busca y te nombra (te busca e chama teu nome)
Vivir... (Viver...)
con el alma aferrada (com a alma ancorada)
a un dulce recuerdo (a uma doce lembrança)
que lloro otra vez (que eu choro outra vez)
Tengo miedo del encuentro (tenho medo do encontro)
con el pasado que vuelve (com o passado que retorna)
a enfrentarse con mi vida... (a se enfrentar com a minha vida)
Tengo miedo de las noches (tenho medo das noites)
que pobladas de recuerdos (que povoadas de lembranças)
encadenan mi soñar... (encarceram meu sonhar)
Pero el viajero que huye (mas o viajante que foge)
tarde o temprano detiene su andar... (tarde ou cedo pára de andar)
Y aunque el olvido, que todo destruye, (e ainda que o esquecimento, que tudo destrói)
haya matado mi vieja ilusion, (tenha matado meu velho sonho)
guardo escondida una esperanza humilde (guardo escondida uma esperança humilde)
que es toda la fortuna de mi corazon. (que é toda a fortuna do meu coração)
Cara, flipei. Flipei como não flipava tinha tempo...
:: Pedrinho 10:27 PM [+] ::
...
Fala que eu te escuto...
:: 11/13/2006 ::
It's my Second life...
Num daqueles momentos brainstorm total lá no trabalho, resolvemos entrar numa de trabalhar com realidade virtual. É uma parada ainda entre o louco e o filosófico, ou entre a baboseira e a freak total, e eu não vou falar muito porque ainda é meio confi, mas no final do dia, a idéia é criar um mundo virtual onde as pessoas possam criar comunidades. Uma parada além do Orkut, onde cada um ainda é cada um, embora possa mentir no perfil, botar fotos do outrém, e etc., mas com a diferença de que nesses mundos virtuais, você pode literalmente ser e FAZER o que você quiser, enquanto que no Orkut é tudo estático, e um dia, no tempo infinito, todos serão como o Brad Pitt e a Angelina Jolie, serão inteligentes, simpáticos, humildes, e querem um mundo muito melhor. E você não faz nada, as pessoas "fazem" em você - te deixam comentários, te elegem, te convidam. Um porre. Virou exatamente o que estava fadado a virar - um limbo de nada.
Aí resolvi fazer um estudo de campo pra saber que raio de mundo virtual é esse. Eu já tinha lido algumas paradas paralelas sobre Matrix e o lado filosófico dessas discussões todas, e sempre me recusei a acreditar que Matrix é pura e simplesmente o mito da Caverna. Tudo cabe certinho demais pra ser o Mito da Caverna, e na verdade eu acho o mito da Caverna quase tão chato quanto a coisificação da coisa do Heidegger. Com o mérito da coisificação da coisa já ter quase me levado à loucura. Um dia desses ainda coloco aqui pra vocês verem um texto do Parmênides também que é de querer sair pra comer um milho... E o pior é que eu AMO esta m*...
Mas algo tinha a mais nas continuações de Matrix além dessa onda rasa de "ver o real, fugir da ilusão" e dessa coisa mítica de "a espera do Messias" (e olha que estou esperando o meu há quase 6.000 anos), algo ali sempre me deixou a fim. Tudo bem, tá bom, o primeiro é o "problema do real" sim, é o Mito da Caverna, já deu. Tudo muito high tech, mas os humanos são prisioneiros literalmente e em cavernas literalmente. As correntes são os prazeres - é o hábito que impede de ver a verdade, não precisa ser fisicamente. O Neo acostumando pra luz quando vai saindo pro mundo real, é tudo o caminho do filósofo. E as discussões do Neo com o Agente Smith são claramente a retórica do Aristóteles. Muito bem, ponto pros meninos, pré-socráticos 1 a zero.
Mas os outros dois Matrix são diferentes... o primeiro termina com o "filósofo" super herói, voa e tudo, e ameaça a Matriz com a "verdade". Beleza, fechou o "problema do real". E a gente entra, por dois filmes mais, em algo muito mais interessante: "o problema da liberdade". Enquanto no primeiro filme a luta para romper a "escuridão da caverna" é meio que de todo mundo pra ajudar ao "escolhido", ao "filósofo", no segundo a dúvida e as escolhas sobre o que fazer assombram todo mundo. Num mundo onde você pode escolher o que fazer, ou melhor ainda, dadas todas as escolhas que você pode fazer, supondo que nada te prende a nada - o que você escolheria? Num mundo com infinitas possibilidades, sem nenhuma necessidade de regra ou convenção social, emocional ou até mesmo "grupal", qual seria a primeira coisa que você faria?
E aí numa conversa com um pessoal da pós, sobre o quão filosófico seria esse papo todo, que juntei a fome com a vontade de comer, e resolvi entrar no Second Life... Já tinha ouvido dizer muito de orelhada, e ainda saiu uma reportagem na Folha sobre o second life. É um mundo onde você cria teu personagem, e depois de pronto - te vira negão. Você cai num "mundo" com mais um milhão de outras pessoas do mundo (tem sempre umas 7, 10 mil online) e começa a interagir. Você pode interagir conversando, pode interagir explorando o lugar e "comprando" coisas (até cabelo tem que comprar, você vem reco, reco...), construindo coisas (tem gente que ganha dinheiro de verdade construindo coisas aí e vendendo a dinheiros "linden", que é o dinheiro dali, e que dá pra "sacar" via PayPal pra quem é dos EUA...
Não é um jogo, embora tenha gente que chame de MMORPG (massive, multiplayer online role playing game), porque não tem um "objetivo". Tem uns jogos assim, tipo Final Fantasy, que você entra, cria um "personagem" e sai pra conquistar o mundo, queimar o anel no vulcão, buscar pó de suvaco de fada, sei lá, mas aqui não. Você simplesmente entra num mundo e pronto. Se quiser ficar sentado num banquinho, fica. Nem morre de fome, que nem você morreria nos SIMMs. Você simplesmente É. E como nós temos esse problema de não saber o que FAZER quando simplesmente SOMOS, o grande quê do jogo fica aí - a grande pergunta que fica no ar é... E AGORA O QUÊ?
Acho que ainda vou fazer uns posts mais sérios sobre isso aqui... mas estou nessa segunda vida há uma semana, e até agora só me aconteceu desgraça...
Já entrei no prejuízo. Descobri que minha conexão banda larga de 512K era insuficiente. Cada vez que eu me teleportava (nunca imaginei que eu fosse falar essa frase assim tão blasé - "cada vez que eu me teleporto..."), o mundo entrava em caos, eu ficava cinza, as paredes sumiam, o chão aparecia no teto, etc. Tudo o que acontece é download na hora. Aí tive que pedir um upgrade pra 2 mega na conexão... e ainda descobri que "senhor, seu plano de 512 não existe mais, se o senhor mudar de idéia, não vai poder voltar atrás"... deu vontade de falar "filha, logo eu não vou nem poder mudar de idéia, concorda?", mas achei melhor não abusar. Enfim, já comecei minha segunda vida com minha segunda conexão de banda larga.
Levei mais tempo pra montar meu personagem do que o Pitanguy pra consertar o Frankenstein. Existem simplesmente 25 parâmetros para você mexer no seu rosto, isso sem contar pelos, nariz ou queixo. É tudo ângulo disso, ângulo daquilo, etc. Uma insanidade. O cabelo então é coisa de PhD. Cansei e meti um cabelo qualquer, depois alguém me ensinaria... doce ilusão, já já falarei sobre a saga do "Flexi Hair"
Roupa até que foi fácil. Botei uma camiseta, e pra dar uma viajada meti um template de um tijolo que eu tinha no PowerPoint, até que ficou legal, parecendo uma que tenho meio marrom com a barra vermelha. É tu merma, filha.
Fiz minha aparência, fui parar numa ilha chamada "Orientation Course". Basicamente, é um Colibri pra quem acabou de nascer. Tem gente com roupa pela metade, com proporções dignas das Sete Faces do Dr. Lao, um show dos horrores. E você ali aprende a andar, a pegar as coisas, a rodar o cursor.. aí você junta gente que não sabe andar pra frente, nem pra trás, nem fazer piuí, e ainda por cima com conexão de banda larga insuficiente. É uma loucura. Parece aquelas bacias de camelô que tem aqueles homens-rã a pilha nadando e dando cabeçadas frenéticas na borda e um no outro. Uma insanidade. Me juntei com uma francesa e um finlandês pra conseguirmos colocar uma bola em cima de uma mesa. E no meio da atividade, fui dar um Control não sei o quê, fiquei sem braços e virei um esquilo! Coisa muito doida... Eu me lembro de ter visto um elefante cor de rosa no show do Daft Punk, mas nunca tinha virado um esquilo antes.
A pessoa que você vira voa. Voa e não pousa sempre, aí depende muito da lua, do teu ascendente, uma coisa muito zen. De vez em quando pousa. Das outras vezes, tem que butar o computador mesmo.
Pousei, fui pra uma pracinha, conheci um monte de gente batendo cabeça na parede, dançando sem conseguir parar, enfim, uma coisa deprimente. Aí fiz uma amiga de Curitiba que me ensinou a comprar o tal cabelo flexível, que quando você anda ele balança. Sim, porque se você puder montar seu ser, coloca um corpo perfeito, uma roupa da moda e um cabelo L'Oreal. Fui comprar o tal Flexi Hair com um dinheiro que meu personagem veio junto, e comprei um cabelo meio azul de mangá japonês que eu acho a coisa mais sebenta do mundo, e que sempre que eu me teletransporto (de novo essa frase...) ele desaparece, e eu me sinto o Moby ou então o Último Imperador.
Passei dois dias sem falar com minha amiga Curitibana. Ela resolveu virar puta pra ganhar dinheiro e comprar um carro. Aí você vê que a gente sempre faz a vida do jeito que a vida é. Tô pensando em me juntar a ela no puteiro. Afinal de contas, quero um cabelo novo...
Semana que vem vou ver o que posso fazer de sério aqui dentro. Mas por enquanto, tô meio que achando um porre. O assunto do "problema da liberdade" é fantástico, existencialismo é papo pra muita cerveja. Se você tiver liberdade suprema, o que você faria com ela? Como viveria sua vida? Até que ponto existem coisas que a gente vai reproduzir, boas ou más, num mundo novo, mesmo que a gente possa criá-lo? O Arquiteto, do Matrix, falava isso... Aldous Huxley, no Admirável Mundo Novo, falava algo parecido... mas ainda acho que prefiro conversar sobre isso tomando uma cerveja do que dando cabeçada na parede, tendo que procurar meu cabelo cada vez que me teletransporto, ou então virando um esquilo cada vez que vejo que horas são...
:: Pedrinho 11:58 PM [+] ::
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Fala que eu te escuto...
Sabedoria chinesa na caixinha
De pouco em pouco, a vida volta a sorrir para mim...
O amor volta iluminar meu coração... o álcool voltou a inundar meu fígado... tudo na santa paz. E para provar que o acaso não existe, tão lendo Kardek lá no China in Box. Pedi jantar hoje ali, e veio um biscoitinho da sorte, com dois bilhetinhos.
"Você, que sempre abriu o coração, pode estar muito perto de ganhar um coração aberto".
Love is in the air...
... e booze is in the heart, veja só o segundo: "A virtude sobe a ladeira, o vício desce".
Tudo é força, mas só o rolinho primavera é poder, meu camarada... ontem mesmo, na volta do Mineiro, fui manobrar o carro em Santa Teresa e quase fui vitimado por um bondinho, que freou a um milímetro do meu carro e eu fiquei sem ação. O bondinho também desce a ladeira...
Bom demais...
:: Pedrinho 10:42 PM [+] ::
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Fala que eu te escuto...
:: 10/25/2006 ::
Siga aquele carro ou mato seu poodle!
Hoje eu fui sacanear um amigo meu do trabalho que é paulista. Alto lá quem for jogar a primeira pedra - todo mundo que me conhece sabe que eu gosto mais de Sampa do que do Rio... e que, depois de ter morado 3 anos em São Paulo, vim pro Rio naquela de "se eu não voltar eu vou me arrepender" - e me arrependi. Aliás, tudo o que é precedido dessa frase cachorra é "pos-cedido" da outra - você se arrepende. Se eu não for nesse show, vou me arrepender - e o show é uma merda. Se eu não pegar essa rua agora, vou me engarrafar todo na Mena Barreto e vou me arrepender - e tem um caminhão de lixo entalado no teu atalho. É batata. É falar e você se arrepender. É um tipo de prece ao São Pombo Cagão pra ele te cagar na cabeça, e as coisas mais improváveis acontecem com você.
Derivei... tô derivando demais... se eu me lembrar amanhã vou fazer um post sobre DDA...
Enfim, fui sacanear o meu amigo. Mandei pra ele um email com duas notícias (notas pequenas, daquelas que a gente recebe em newsletter e clipping), com o seguinte texto "cara, sobre a primeira notícia acho que a gente consegue fazer algo a respeito, a segunda já perdi minhas esperanças..." A primeira notícia era uma parada de trabalho, pra gente fazer algo em cima daquilo.
E a segunda tinha a seguinte manchete "Criança baleada em perseguição em São Paulo". A manchete é triste,mas a história, desculpe, mas era hilária. Uma mulher estava às 8 da noite numa esquina na Campinas, em pleno Jardins, quando um cara rende ela com uma arma e manda ela sair do carro. Até aí, banal, dezoito vezes isso por dia ali no sinal do Flamengo na volta da Barra. Mas agora é que vem o grande lance - a mulher pegou um taxi que ia atrás, mandou aquele clássico "Siga aquele carro!", o motorista seguiu, a mulher (no taxi) conseguiu numa esquina qualquer (enquanto perseguia o ladrão no seu carro) mandar um "ei, psiu!" pra um carro da polícia, que entrou na perseguição (isso tudo pelas ruas dos Jardins, que têm aqueles calombinhos à prova de pega, devem ter estropiado os 12 amortecedores nessa brincadeira), e que trocou tiro com o ladrão, que dirigindo, fugindo do taxi, manobrando no calombinho, conseguiu dar um tiro e acertar uma criança que andava com a mãe na Campinas.
Ufa.
Cara, na boa - surreal essa história. Nem o Dick Vigarista consegue essa na Corrida Maluca. Desculpa a criança (que tá fora de perigo, então me permito esculhambar aqui), mas é foda. Só em São Paulo mesmo. Aquela cidade que dizia "nããão, o Rio é mega violento, aqui é civilizaaaado", amargando tiroteio desse naipe. E essa do "siga aquele taxi" só perde pro "ei, polícia, tão roubando meu carro ali!!", e a policia acreditar!!! Muito bom...
Aí um amigo meu no almoço se supera, e mostra que o Rio não perdeu a majestade...
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Idosa atira em assaltante para salvar seu poodle
Alexandre Cardoso Pereira vinha assaltando idosos nas redondezas de Flamengo. Ele já tinha abordado outras vezes uma idosa, Maria Dora dos Santos Arbex, de 67 anos.
Este sábado enfermeira aposentada, Maria Dora, saiu de casa levando a arma de uma filha e, por volta das 7h teria sido abordada por Pereira , que teria ameaçado matar o cachorro dela (um poodle) com uma faca se ela não entregasse o telefone celular. A idosa respondeu sacando um revólver calibre 3 e disparou um tiro na mão de ladrão. Pereira fugiu, mas foi detido pela Policia. Maria Dora dos Santos Arbex vai responder em liberdade às acusações de porte ilegal de arma e lesão corporal. |
Isso é muito, muito melhor... o assaltante vai ser liberado porque é primário, e a Dona Dora vai pra cadeia por porte ilegal de arma. E como ela tinha porte ilegal, vai passar mais tempo presa do que ele, porque a pena de porte ilegal é maior do que a de assalto (porque ele tava com uma faca)! Surreal!!! Merecemos mais 10 anos de Garotinho por essa...
Agora a melhor parte... vocês sabem como esse caso apareceu na mídia?
Porque a Dona Dora foi honrada com uma medalha da Assembléia Legislativa dos Vereadores do RIo de Janeiro... foi indicada, só tinham 3 vereadores na casa pra votar, votaram que sim. Aí saiu no Diário Oficial, e pegaram a velha. |
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Na boa... isso é muito bom... divido com vocês esse momento...
Agora, me diz se não é pra pensar...
Já viram quanta tristeza esse raio desse poodle traz ao mundo?
:: Pedrinho 9:19 PM [+] ::
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Fala que eu te escuto...
:: 10/6/2006 ::
Resolve-se o mistério de toda a minha vida...
Pode parecer a besteira mais imbecil do mundo... mas hoje do nada, dando um google sobre nem sei o que, esclareceu-se um mistério que me assombra há pelo menos 15 anos. Há 15 anos (se bobear mais), eu e um grande amigo meu, que tem também memória de elefante pra coisas que ninguém mais lembra, como nome de chacrete, frases mal traduzidas de filme dublado, enredo de novela velha e tiradas de Jerry Lewis aplicadas no dia a dia, nos condenamos por não lembrar de uma coisa.
Uma coisa fundamental para a explicação da formação de qualquer criança no Brasil. Uma coisa que todos deveriam lembrar. E certamente uma coisa que, por não lembrarmos, estamos condenados a lembrar de um monte de bobices até que um dia, lembrando, poderemos partir desta para a melhor (se bem que agora que o Bento XVI acabou com o limbo, não sei pra onde eu vou... aliás, não sei onde estou quando estou de ressaca ou naquele estado paçoca cerebral de final de dia no trabalho, se não estou no limbo...)
Qual era o nome do filho do Espanto?
Espanto? Tio Maneco? Alguém? Alguém? O Espanto era um robô feito de forno a lenha e com uma cabeça de chaleira, que o Tio Maneco (Flavio Miggliachio) construiu, ou então foi o Vovô (interpretado magistralmente pelo Rodolfo Arenas, outro grandíssimo whodahell, que depois de ter feito o Vovô, fez Bye Bye Brasil, fez Lucio Flavio Passageiro da Agonia, fez A Dama do Lotação, e terminou sua carreira no papel de Gracindo em Bububú no Bobobó... vida ingrata).
O Espanto tinha um filho que era um robôzinho chato pra cacete, pior que a lambreta do "eu te disse!" da Turma do Chapa, que era um bule com quatro rodinhas e dois olhos de botão vermelho. Trash à vera.
Dundun era o nome da criança.
E mais um mistério da minha infância se esvai no pó.
Que nem o limbo.
:: Pedrinho 2:14 PM [+] ::
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Fala que eu te escuto...
:: 10/3/2006 ::
Irreverente- Atrevida - Sem Censura - Afetuosa - Explosiva - Intuitiva - Indisciplinada - Tem muita desenvoltura frente às câmeras - Fala demais - Gosta do Improviso...
Whodahell? Dahell é Marley Soares, a apresentadora do programa Tudo Perto, da TV Guaíba...
Whodahell???
Marley apareceu na minha vida hoje... foi chegando sorrateira, cheia de graça e me enfeitiçou, com seu sorriso maroto, seu jeito carinhoso e sua energia contagiante.
Ná.
Por razões que até a própria razão desconhece, eu e o Léo, que trabalha comigo, estamos mapeando a programação local das principais TVs regionais do Brasil. Coisa de trabalho, nem vou falar aqui. Mas numa dessa de busca-busca, google até o talo do ser, o Léo acha a TV Guaíba, uma rede independente de Porto Alegre, RS. A TV Guaíba, televisão pra nossa gente, funciona no canal 2, freqüência (54 - 60) MHz e potência 25 KW - ou seja, é quase uma batedeira de cozinha. É uma televisão totalmente independente, com programação própria local, buscando sempre informar o melhor possível a comunidade com programas jornalísticos, entrevistas, cultura, esporte e muito lazer, além de bons filmes e documentários cuidadosamente selecionados.
E é nessa seleção cuidadosa que encontramos, na programação da TV Guaíba, pérolas como (textos do site da TV Guaíba):
Rosaura Fraga .COM: Programa dinâmico, atual, dicas de todos os assuntos, Ajudamos o nosso público a tomar suas decisões na hora de suas escolhas em todas as áreas, Através de demonstração de produtos e dicas. Todos os dias um quadro de gastronomia, além dos demais temas. Que assuntos? Decisões sobre o quê? Que escolhas? Que produtos? Que outros temas? É a Oprah dos Pampas...
Flávio Alcaraz Gomes e os Guerrilheiros da Notícia: Somos quase 30 guerrilheiros. Há mais de uma década levando a vocês a informação, a cultura, a notícia e a anatomia da notícia. Temos liberdade para opinar, debater, dizer tudo que pensamos e como pensamos. Além de informar, nosso objetivo e também alegrar, abordar assuntos curiosos e variedades, sempre com o alto astral, que caracteriza os Guerrilheiros da Notícia.Porque o mais importante do jornal é o alto astral dos apresentadores...
High Tech: Programa apresentado por Renato Rossi sobre carros, motos, bicicletas. etc.pedalinho, matchbox, carrinho de rolimã...
E o meu favorito... Palavra de Mulher, com Marley Soares.
Vou poupar todo mundo da minha babação de ovo em cima de Marley, mulher vivida, esposamante dedicada... vou deixar aqui a biografia de Marley no programa Fórum, apresentado pelo nosso dileto Flávio Alcaraz Gomes na grande TV Guaíba (eles se auto-entrevistam a si próprios!)... Por favor, amem isso aqui...
Quem convive com ela sabe que o seu lado "pavio curto", "sem papas na língua", não retrata completamente a Marley Soares, apresentadora e diretora do programa "Palavra de Mulher", na TV Guaíba. Ela é a criadora e idealizadora do programa que está no ar há 17 anos. E foi com muita persistência que conseguiu dar andamento a um projeto que só foi possível realizar, depois que deixou a Diretoria da Regional Sul de Beleza, da Helena Rubenstein (sic).
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Desde cedo ansiava por liberdade. Casou aos 15 anos, com um homem 14 anos mais velho e da religião das Testemunhas de Jeová. O objetivo era sair da tutela dos pais, começar uma nova trajetória de vida, e, como ela mesmo diz , o casamento foi seu primeiro investimento.
Mas, nem tudo o que se sonha acontece, a relação não deu certo, e o jeito foi voltar para Pelotas, para a casa dos pais, depois de uma temporada morando no Rio de Janeiro. Com ela veio um filho e outro por nascer.
A idéia de ser parteira como a mãe, surgiu justo neste período difícil e mal resolvido. Depois que aprendeu o ofício, tirou a licença no Centro de Saúde de Pelotas e praticou a profissão por 5 anos. Foi nesta época que sua vida começou a mudar radicalmente.
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O irmão mais velho, que já trabalhava em rádio, a convidou para apresentar dois programas na Rádio da Universidade de Pelotas: Mundo Feminino e R.U. Confidencial (sobre os acontecimentos sociais da cidade). Em 1969, veio para Porto Alegre trabalhar em uma multinacional - Helena Rubinstein, onde permaneceu por quase 20 anos. Nesta época, ficou conhecida por participar de programas de televisão ensinando às mulheres os segredos da maquilagem e da beleza.
E foi especialmente por seu carisma e naturalidade frente às câmeras de televisão, que a convidaram a apresentar, junto com a radialista Mariza Fernanda, um programa na antiga TV Difusora (Bandeirantes), chamado "TV Mulher". Durou pouco, mas o suficiente para que Marley soubesse que era isso que ela queria .
Quando saiu da multinacional, a Juliana (a filha caçula), já era nascida. A partir daí, deu início a um projeto desenhado há algum tempo: ter seu próprio programa de televisão. Imprimir sua marca pessoal em um espaço idealizado para as mulheres e feito por mulheres. Foi quando surgiu o programa "Palavra de Mulher".
Nestes 17 anos de apresentação ela ganhou a fidelidade da audiência. Um público que a acompanha e a faz pensar que "muitas mulheres gostariam de expressar seus sentimentos através do programa".
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PING - PONG COM MARLEY SOARES (também é original, não inventei não...)
Contra ou a favor do ABORTO? A favor . Já fez mais de um. Quem decide é a mulher.
TELEVISÃO é para educar ou para divertir? Tem que divertir educando. Não é a favor das novelas que apresentam cenas de nudismo e sexo em horários em que as crianças ainda estão na sala.
FEMININA OU FEMINISTA? Feminina é claro! A mulher tem uma natureza doce, que a difere do homem, e é nisso que ela tem que investir.
COM MAQUILAGEM OU SEM MAQUILAGEM? Sempre com maquilagem!
FAMÍLIA? É a base de tudo, o alicerce, o fundamento para o ser humano.
CIRURGIA PLÁSTICA? A favor sempre! Não o "esticamento" feroz, mas pequenos procedimentos que podem devolver a auto-estima à mulher ou ao homem.
A DÚVIDA DO MOMENTO? Aceitar ou não ser candidata à Deputada Estadual. (Ela foi convidada por 5 partidos; está tentada mas receosa, os sentimentos se confundem).
A CERTEZA DO MOMENTO? De viver muito, inspirada na mãe ¿ Dona Lídia, que completa 84 anos, daqui mais alguns meses.
UM FILME QUE MARCOU? Ghost.
ATORES PREFERIDOS? Brad Pitt e Al pacino
ARTRIZES (sic)? Julia Roberts e Eva Vilma
PERFUMES? Oscar de La Renta e Boucheron
As artrizes favoritas são ótimas... e as artrozes favoritas no cotovelo esquerdo então são iguaizinhas às da Eva Wilma.
E a dúvida do momento?
Simplesmente um luxo...
:: Pedrinho 8:16 PM [+] ::
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Fala que eu te escuto...
:: 9/30/2006 ::
Baixo Gávea e, quem diria, Lucélia Santos no meu Friday night...
Outro dia numa feira do troca comprei um troço fácil pra chuchu pra carregar, uma coisa que todo mundo deveria comprar quando estivesse a pé no meio da rua: 25 filmes brasileiros em DVD. Não vou entrar muito em detalhe aqui porque não quero receber um selo anti-pirataria aqui, mas digamos que tem DVD naquela caixa de antes do VHS ter sido inventado. Acho que metade dos elencos de todos já morreu. Cheguei amarradão, coloquei o que deve ser o milésimo filme na estante, e fiquei pensando, numa sexta feira resfriado, no chance de sair (embora tenha me roído de raiva de não ter podido ir ver Kseni, da Jocy de Oliveira, com um amigo que tava lá produzindo o making off da ópera) qual deles deveria ver... meio drogado de Trimedal (quem conhece minhas andanças com Rivotril sabe que eu fico meio imprestável sob efeito químico.. quem não conhece a do Rivotril mas me viu no Baixo Santa Alto Gloria sábado passado tomém...) botei o filme e vi.
Baixo Gávea, do Haroldo Marinho Barbosa (que também fez O Vestido, que deu pra Gabriela Duarte o prêmio de melhor atriz em San Sebastian, em 2003, acreditem se quiser), é de 1986. Ou seja, eu devia ser provavelmente um dos vultos nas filmagens, mega dimenor, bicando do chopp de todo mundo aos 16 anos no BG, nem reparei Lucélia e Louise discutindo cabeçamente falando sobre a vida na mesa de trás... se bem que pelo que eu vi o filme é mais no Sagres que na esquina que eu ficava...
É uma encabeçada bem maneira... tudo bem que eu tenho uma certa tendência pra encabeçar geral, então já entrei naquela de que Clara (Lucélia) é na verdade Fernando Pessoa (o filme é sobre uma diretora, a Lucélia, que finalmente saiu da Senzala e resolveu começar a mandar nos outros, que tá ensaiando uma peça sobre os últimos dias do Fernando Pessoa e seus amigos), e a Ana (Louise) é a melhor amiga sapata dela, e também representa o Mário de Sá Carneiro, melhor amigo do Fernando Pessoa, e que na vida da Clara também é o Mário de Sá Carneiro, tirando o Fernando Pessoa das encabeçadas de "nada faz sentido" e "estou navegando sem saber pra onde ir" e "o amor é foda" - mas igualmente decadente, saudosa e meio amarga meio ao leite. Uma parada meio Fernando Pessoa pra todo lado, e acho que todo mundo era um heterônimo dele. Encabecei de novo, né...
Então falemos sobre o lado light do filme. Cara, fazia tempo que eu não via um filme brasileiro, sem ser do Jabor, que é debochado e tem umas tiradas ótimas. Tiradas absolutamente atemporais. Mesmo o filme se passando com duas mulheres, há 20 anos atrás (cacete, eu já tava no Baixo), e tem umas sacadas que você poderia estar usando hoje, que te fazem rir, e que têm tudo a ver com teu último final de semana certamente... aqui vão algumas:
Lucélia, perdão, Clara acorda numa cama estranha, assim abre o filme. Acorda naquela onda onde estou, quem sou eu, é bonito aqui... Aí vem um cara peladão do banheiro, impressionante como todo mundo com quem você toma um porre e vai pra cama sempre acorda melhor que você. Tirada atemporal 1 - você sempre bebeu mais ou pior do que com quem você trepa. O cara lembra da história toda, dá aquela agonia do que fiz, o que não fiz, a pergunta "como vim parar aqui" chega a ser ridícula... hoje eu viro e falo pra alguém "já despertei aqui" e todo mundo acha graça, mas na hora é de arrancar os olhos e pisar em cima...
Ana pra Clara: "Você acorda nua, na cama de um cafajeste paulista, e ACHA que ele te comeu? essa é ótima..." Perdão pela referência geográfica do paulista, geherter Marx, mas é a cereja desse sundae...
Cabecice do Pessoa, soco no estômago: "Nôs nos sentimos como barcos, e o objetivo do barco nos parece ser navegar. O objetivo do barco não é navegar, é chegar em algum porto. Nós seguimos o erro dos argonautas, navegando sem saber onde chegar... navegar é preciso, viver não é preciso..."
"Eu já sei por que bebi tanto aquela noite... porque eu tava carente... to carente... carente de amor..." Ah, jura Lucélia? E depois o papo vem com a Lucelia dando uma de puritana pra Louise, que é uma pegadora, e que responde com uma que eu já incorporei ao meu vocabulário: "Alto lá, quem disse que eu me deito com qualquer pessoa sem amor? Eu amo todo mundo..."
Lucélia Poliana mais uma vez, ensaiando pra falar com um date: "Olha só, eu tô querendo um homem pra casar, tá, pra ter filhos, entende? Então eu tô saindo com você pra fazer um teste... pra conversar com você, pra trepar com você, pra ver se você funciona, sabe? Agora eu tô ficando angustiada porque eu tô começando a achar que eu tenho mão podre pra homem..." Já é hilária assim. Aí você vê o cara, claro que não vai dar certo. É o José Wilker. Corpo e cabelo de 20 anos atrás, mas a cara botocada é a mesma. Isso não vai acabar bem... o cara manda um "bora daqui que tá muito cheio" no meio do vernissage... "Rapaz educado, amante das artes sem ser artista..." acorda, Lucélia... ficou burra na senzala? Desfecho da noite: "Vem cá, você é sempre tão delicado assim? Ou foi só comigo? Isso foi uma curra!" e o outro, rodando o gelo do uísque com o dedo "é, eu sou meio complicado mesmo..." O cara era terrorista, fazia bombas... "ah, eu acho que vou pegar um taxi e voltar pra casa, tá? Esse revólver na tua cintura, depois aquela coisa romântica de você me currar chamando de prostituta... e agora bomba? Ah, não. Uma bomba já é demais pra mim, viu..." Amei essa. Aprenderam? O lance é bomba. Se tiver bomba, não vai dar certo. Todo o resto pode...
E a saideira: todo mundo depois de uma noite no Baixo, "Porra, todo mundo se arranja, menos eu... eu acho que nasci marcada, sabe, nasci com esse estigma... " e a pérola da Louise Cardoso, ao melhor estilo Dona Jura "Eu também, meu bem... já perdi a garra e tô segurando no dente.." É brinquedo, não?
"Essa menina depressiva tá lá no banheiro há horas já, hein...", "Ih, meu deus, deixei uma gilete na pia!". Ótimo...
No dia seguinte da suicida, entra um amigo delas em casa, levou porrada na rua e tá com o nariz todo estropiado, e a Louise Cardoso "Ah, isso aqui tá ficando interessante, todo dia rola sangue nessa casa..." Mais ótimo ainda...
Pra encerrar, a minha favorita. Louise Cardoso enchendo a cara no Baixo: "Hoje é o meu dia... tem um bicho agarrado aqui no meu peito que só desgruda com álcool..."
Quem quiser, um dia conto as cabecices do filme. Com direito a Opiário, do Pessoa, e tudo. Gostei. Meio down to love, mas muito bom. Com um trimedal então, fui ao êxtase.
:: Pedrinho 11:52 AM [+] ::
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Fala que eu te escuto...
:: 9/13/2006 ::
Fui etiquetado...
Nem sabia que tava rolando essa nova onda, uma coisa muito Manhattan esse lance de "you're tagged!". Pois é. Amigo meu, o Bernardo, me etiquetou. A coisa funciona da seguinte forma - a pessoa etiquetada parece que tem que contar seis coisas sobre si mesma (adoro isso de si mesmo... já me lembra aquela clássica de "quando eu me dei por si" e suas corruptelas "se dei por si", "se dei por sim", e o melhor que é "voltar a sim"...), e no maior esquema praga de corrente etiquetar seis pessoas. Como a etiquetagem funciona na base do link de blog, vou perguntar pro carimbador maluco que me carimbou como faço se eu por política marco poucos blogs de pessoas que eu acho que não etiquetaria. De repente etiqueto alguns por email e ponho eu mesmo as respostas aqui...
(vou ser o espírito de porco que quebra a corrente, mas não vou ser atropelado nem vai cair um avião na minha cabeça, como caiu na de Kathleen O'Durphy, de Columbus, Ohio, que ignorou esta mensagem e teve dezoito filhos xifópagos e morreu virada do avesso no parto... porque eu respondi!!!)
Vamos lá. Seis coisas sobre mim...
1. Já fiz treinamento militar de campo na Guatemala, e dei aula de matemática na Victoria Terminus, em Mumbai, na Índia.
2. Fico trêbado com dois chopps, mas aguento até dez vodkas sem embargar a voz.
3. Tem uma música B-sides de um grupo famoso dos anos 80, que cantava músicas sobre batatas fritas e que gemia, gemia, feita pra mim
4. Detesto que me cutuquem ou que encostem em mim enquanto conversam comigo. Pode ser o assunto mais interessante do mundo, perde o dedo na terceira ou meu telefone misteriosamente toca sem ninguém ter ouvido, pego meu banquinho e saio de fininho.
5. Amo na mesma intensidade Daft Punkt e "Sou Rebelde" da Lílian, Manuel de Oliveira e Lucille Ball
6. Sim, é verdade... SOU ARGENTINO! Exército de ocupação, primeira brigada - sem sotaque, não jogo futebol e não tenho cabelo firulin atrás, e não faço malabares nos sinais... estou a paisana, e quando você menos perceber, te ocupamos, pelotudo!!!!
Vou ver agora com o carimbador maluco como faço pra passar isso adiante se não sei seis blogs de cabeça.
PS: Essa noite sonhei com ringtones e celulares... e eles não interagem no sonho... Sonho chaaaaaaaato...
:: Pedrinho 10:17 PM [+] ::
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Fala que eu te escuto...
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